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" Ratos. Que te comam. Que te esventrem e te suguem as entranhas. Que te enterrem meio vivo para pensares um pouco "
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segunda-feira, dezembro 4

Tristeza

Choro as infinitas contas de meu rosário, uma a uma
Que esta minha tristeza hoje é tanta e é nenhuma...
E se disser que é parca esta dor, certo que te minto
Que não há verso, amor!, que te diga o que sinto!

Não há quem me acalent' em noites de breu e bruma
Não há beijos e não há quem em teu abraço durma!
De que vale viver assim, quem veio ontem hoje indo
Enfeitando meu caixão e a morte ali atrás sorrindo?!

Ó céus!, que mágoas estas que de mim tomam conta
Que angústia que me estrangula neste faz-de-conta!
Ora "era uma vez um príncipe", ora já daqui partiste!

Amor!, se teus olhos me vêem assim cansad' e triste
Que ventos se levantam? Diz-me tu quem se importa
Se hoje vivo em tristeza ou s' amanhã estarei morta?

Miriam Luz

terça-feira, novembro 14

Este post vem alguns dias atrasado, mas não podia deixar de postar depois de um dos senhores da guerra ter caido do poleiro. Rumsfeld lá se foi, é certo que serviu ao sr Bush de bode expiatório...mas é sempre bom saber uma noticia destas. Este acontecimento surgiu pela derrota dos republicanos nas eleições ao congresso e senado, o que também não é má noticia. No entanto não dá para ficar radiante como muita gente( a maioria de esquerda) ficou com esta situação, pois o Partido Democrata que ganhou, não vai mudar nada de essencial. Os Eua continuarão com a sua politica imperialista pelo mundo, mas melhor do que a minha escrita para explicar o que pretendo nada melhor que um poema:

A Troca da Roda

Estou sentado á beira da estrada,o condutor muda a roda.
Não me agrada o lugar de onde venho.
Não me agrada o lugar para onde vou.
Por que olho a troca da roda com impaciência?

Bertolt Brecht

quinta-feira, novembro 2

LEDA LIDA

Ah!, nada me resta que um fino manto
Sobre este corpo cansado em leda lida!
Nesta sala vazia, de nua nudez vestida
Paredes pingadas dum encantado canto

Voz que me ouça, silêncio que me diga!
Outra dor!, essa que me seque o pranto
Meu morto corpo esquecido num canto!
Ausência que me acompanha nesta vida

Oh meu amor!, em ti nua me derramo!
Que minhas chagas, feridas dolorosas,
Em teus braços sejam ramos de rosas!

E abandonada nesta dor que tanto amo
Uma lágrima, orvalho em pedra escura
E tua, minh' alma tão pobre e tão pura!

Miriam Luz
11 de Abril de 2006